quinta-feira, 18 de setembro de 2008

o poço

a morte
vida sem futuro
morre angústia morre
as coisas não desenvolvem
a cena está parada
as mosca parecem abutres
giram à nossa volta
e o poço continua imóvel
como um besouro
escuro e frio
e o espelho de água
do outro lado do poço
vivem os peixe-solhas
e na noite brilham as
estrelas do mar
de todas as cores
são as almas dos afogados
e das suas amadas
a vida passou-lhes
tão rápida entre
os seus dedos mortos
que acariciavam
a areia em
dias trágicos que
o tempo resolveu
vivo do lado de cá
do poço

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