foge hoje
não amanhã
já é tarde
de qualquer modo
eu fugia para onde?
se nem sequer sei como nasci
eu nasci morto
e depois fui crucificado
como um tal cristo
mas não tive
tanta publicidade
tenho muita pena
e perdias
apenas o quê?
e voltei à 1ª classe
da primária
a carteira encarnada
cheia de manuscritos
uma pena à frente
do meu destino
passei para a segunda
e tudo se repetiu
a história de portugal
e o fim do mundo
isto é uma homenagem
ao povo sem destino
trinta monges numa tenda
e uma garrafa de vinho
tal é a fartura
o mundo é um
carrinho de choques
com muito vinho
trinta virgens
num monte
e arbustos de azevinho
deixa aguentar
mais um pouco
e mata-se um
porco
vai ser uma festa
esta noite
prometo que não falta vinho
nozes e flores
e algumas dores
alguns vão trabalhar
e eu também
vou
para onde?
para a casa do luís
terça-feira, 16 de setembro de 2008
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