terça-feira, 23 de dezembro de 2008
esta noite de medo
por longos corredores
acendo um cigarro
na luz
ouvem-se pessoas
afastadas
não me importa
subo muito sem
saber onde estou
oiço as vozes
sem vontade em
becos mal iluminados
janelas na penumbra
sombras de casas e
sirenes acendem
o ar de noite
é um estranho sono
entro no escuro
estraguei
com o meu entusiasmo
a amizade
desconfiei de mim
enquanto lambia as feridas
o choro do menino
não valia de nada
como eu tinha medo
das linhas brancas
dos faróis no
quarto escuro
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
estrela do mar
tenazes de ouro com olhos ao sol
a areia brilha na maré vazia
da casa deserta como o meu umbigo
não decidi perder tudo
no labirinto de barracas fantasmas
sigo os passos na areia até ao fim do mundo
bandeira encarnada ao vento
sem adeus quente violeta
a areia brilha na maré vazia
da casa deserta como o meu umbigo
não decidi perder tudo
no labirinto de barracas fantasmas
sigo os passos na areia até ao fim do mundo
bandeira encarnada ao vento
sem adeus quente violeta
sol
estou sentado no hotel desta linda cidade
as crianças saem da escola
um senhor numa negra limusina parada
observa.
o inevitável dá-se
ainda oiço o som do refrão do comboio
os dias continuaram quentes e abafados
as crianças saem da escola
um senhor numa negra limusina parada
observa.
o inevitável dá-se
ainda oiço o som do refrão do comboio
os dias continuaram quentes e abafados
noite
dirigimo-nos ao miradouro
lá está a casa no fundo do vale
uma lâmpada ilumina o portão
e o vento danado traz o ecoar dum sino
eu sempre rígido à espera
tem que acontecer
não sei se escapamos
lá está a casa no fundo do vale
uma lâmpada ilumina o portão
e o vento danado traz o ecoar dum sino
eu sempre rígido à espera
tem que acontecer
não sei se escapamos
piano
não existimos
apenas escalas de pianos velhos
âncoras e baralhos de cartas
o espelho no silêncio
do vazio
era um sonho e só
os olhos sobrevoavam a cidade
sem problemas
apenas escalas de pianos velhos
âncoras e baralhos de cartas
o espelho no silêncio
do vazio
era um sonho e só
os olhos sobrevoavam a cidade
sem problemas
consciente
um cão nas praias de marbella
encontra um companheiro
e juntos desenham faces humanas
enquanto observados
duma esplanada
enquanto me observam
encontra um companheiro
e juntos desenham faces humanas
enquanto observados
duma esplanada
enquanto me observam
compressão
o veneno que se mostra
o meu corpo
controlado e isolado na imagem
agressivamente só
experimento
desertos
quero dormir
o meu corpo
controlado e isolado na imagem
agressivamente só
experimento
desertos
quero dormir
o padre
surpreende-me
como na ultima noite
disse o sacristão
ao padre
o sodomita
o eremita
embrulham-se
com rimas finitas
como na ultima noite
disse o sacristão
ao padre
o sodomita
o eremita
embrulham-se
com rimas finitas
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